Salão Nobre

Fotografia em cores do Salão Nobre do Antigo Palácio da Justiça do Rio de Janeiro.

Outrora denominado Salão de Honra

O Salão Nobre da Presidência, outrora denominado Salão de Honra, constitui-se como um importante espaço consagrado à memória do antigo Palácio da Justiça do Rio de Janeiro e dos diferentes tribunais que nele se sucederam. Este recinto, por sua nobre decoração, era reservado à realização das cerimônias sociais, grandes solenidades e para o desempenho das funções administrativas exercidas pelo Chefe do Poder Judiciário, cujo gabinete era interligado.

Fotografia em preto e branco com destaque para o Desembargador Homero Brasiliense Soares Pinho e outros, no Salão Nobre em 1959/60.
Imagem: Des. Homero Brasiliense Soares Pinho e outros, no Salão Nobre (1959/60). Acervo Museu da Justiça

A sua decoração forma um conjunto que traz, ao mesmo tempo, austeridade e leveza, imponência e elegância. Ali, predomina a coloração creme com detalhes dourados nas paredes e nas pilastras jônicas que sustentam a arquitrave, sendo o teto azul com frisos dourados e os rebaixos dos painéis em tons de azul cobalto.

Arandelas e lustres de bronze dourado com pingentes de cristal compõem o sistema de iluminação. Ornam, ainda, o recinto, estatuetas de bronze dispostas em consoles de mármore e seu piso é formado por tacos de madeira.

Ressalte-se que, no edital de construção do edifício, datado de 12 de julho de 1921, estabeleceu-se que todos os compartimentos que não levassem “pavimento de ladrilho ou mosaico americano” seriam assoalhados pelo sistema de tacos de madeira, variando o desenho conforme a importância das salas”.

Fotografia em preto e branco de magistrados reunidos no Salão Nobre em 1955/56.
Imagem: Des. Miguel Maria Serpa e outros, no Salão Nobre (1955/56). Acervo Museu da Justiça

O Salão Nobre foi assim descrito, pelo então presidente Vicente Piragibe, no registro de correspondência da Presidência do Tribunal de Apelação com o Governo, em 13 de fevereiro de 1940:

“O salão de honra, abrindo para os três balcões da fachada, harmoniza os seus efeitos artísticos, desde o lavor das portas à tonalidade dos muros apainelados, creme claros sob toques de oiro, com os rebaixos dos painéis em cambiantes de azul cobalto. Pilastras jônicas sustentam a arquitrave da mesma ordem. A coloração azul e oiro predomina, sem excessos, no damasco dos reposteiros e do mobiliário, estilo Luís XVI, como no desenho do tapete e no veludo das cadeiras de espaldar, que, ao centro do salão, rodeiam a mesa de madeira esculpida. Arandelas e lustres de bronze doirado compõem o sistema iluminativo, sendo os candelabros guarnecidos de guirlandas de cristal. Ornam ainda o salão as estatuetas dispostas nos consoles de mármore e, ao fundo, os bustos dos Desembargadores Caetano Montenegro e Renato Tavares. Outras portas da galeria, artisticamente realçada, num extremo, sob o arco de seu nicho, pela forma escultural da Justiça e, ao centro, por efeito dos vitrais superpostos aos lanços da escadaria de mármore, abrem para o gabinete de trabalho do Presidente, o do Corregedor e a sala dos Desembargadores, peças mobiliadas com apuro e gosto”.

Atualmente, o espaço está aberto para visitação pública, sendo também utilizado para eventos culturais, concertos e para as entrevistas do Programa de História Oral do Museu da Justiça.