Salão do I Tribunal do Júri

Fotografia do hall do Salão dos Passos Perdidos.

Julgamentos de grande repercussão

Em 3 de janeiro de 1927, instalou-se no Palácio da Justiça o Tribunal do Júri do Distrito Federal. O primeiro julgamento, presidido pelo então juiz de direito Edgard Costa, foi realizado poucos dias depois no dia 10.

No registro de correspondência da Presidência do Tribunal de Apelação com o Governo, pelo então presidente Vicente Piragibe, em 13 de fevereiro de 1940, assim foi descrito o Salão do Tribunal do Júri:

“Ornamentada ao gosto do estilo Luís XVI, posto que sem os requintes da época, é a sala do Júri, no primeiro pavimento, que sobreleva às demais instalações. Das quatro rosáceas do teto, liso e enquadrado por um festão de acantos, pendem os lustres de bronze e cristal. Revestido o soco das paredes por madeiras artísticas, e vazadas as maiores por duas ordens de vão, que obedecem nas pontas inferiores ao mesmo desenho dos lambris, alteiam-se deste as pilastras coríntias, que sustentam frisas interrompidas, de onde em onde, pela molduragem dos painéis alegóricos. A parede mais rica é a do extremo, em que se ergue a mesa da Presidência do Tribunal Popular, dominando o recinto, ladeada por duas portas. Sob o arco do nicho que se avista ao centro, guarnecido pelas cortinas de veludo carmesim está o crucifixo de mármore e bronze, inaugurado em 31 de janeiro de 1939, com a presença do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Sebastião Leme. Acima do arco ressai o motivo central da decoração, constituído por um painel do laureado pintor brasileiro André Vento – Apoteose à Justiça. Lateralmente, completam essa alegoria dois motivos simbólicos do mesmo artista, encimados por legendas e medalhões com as efígies de Justiniano e de Cícero. É ainda para notar os símbolos e figuras com que foram decorados os seis vitrais existentes nos vãos da parede externa. As portas da mesma ordem superior, na parede oposta, dão acesso a quatro balcões semicirculares em canelura, talhados à maneira de púlpitos e apoiados em conchas, exibindo ao centro as cartelas com os seus motivos simbólicos, entre guirlandas de loiros. Sob a cornija do arco de madeira ainda se vêem outras cartelas, emolduradas por breves pórticos e ladeadas por figuras de crianças em relevo completo.”

Neste Salão, realizaram-se julgamentos de ampla repercussão, tais como o de Alberto Jorge Franco Bandeira (“o crime do Sacopã”, 1954); Gregório Fortunato (“o crime da Rua Tonelero”, 1956); Ronaldo Guilherme de Souza Castro e Antônio João de Sousa (“o caso Aída Cúri”, 1960) e Guilherme de Pádua e Paula Thomaz (“o caso Daniela Perez”, 1997).

Fotografia em preto e branco do Julgamento do Crime do Sacopã, em 26 de março de 1954.
Imagem: Julgamento do Crime do Sacopã (26 de março de 1954). Acervo Arquivo Público do Estado de SP.

O Salão do Tribunal do Júri tem as paredes artisticamente revestidas na base por lambris de onde se alteiam pilastras coríntias. Os quatro “balcões semicirculares em canelura, talhados à maneira de púlpitos e apoiados em conchas” possuem pisos revestidos por ladrilhos brancos hexagonais, previstos no edital de construção do edifício histórico, datado de 12 de julho de 1921.

Fotografia em cores do piso dos balcões, que são revestidos por ladrilhos brancos hexagonais.
Imagem: Piso do balcão do Tribunal do Júri. Fábio Teixeira/TJRJ.

Acima do nicho situado atrás da mesa da presidência, ergue-se o painel Apoteose à Justiça, do pintor André Vento, ladeado por dois motivos simbólicos do mesmo artista, encimados por medalhões com as efígies de Justiniano e de Cícero.

Fotografia em cores do painel Apoteose à Justiça.
Imagem: Painel Apoteose à Justiça.

Em 1998, na administração do presidente do TJRJ, desembargador Thiago Ribas Filho, o Salão do Tribunal do Júri foi submetido à significativa reforma, na qual o restaurador John Spangler recuperou importantes elementos decorativos, como painéis, vitrais, esculturas e balcões, procurando respeitar as características originais.

Fotografia em cores dos murais com os retratos de Teixeira de Freitas e de Ruy Barbosa.
Imagem: Pinturas murais de Teixeira de Freitas e de Ruy Barbosa. Antônio Carlos de Oliveira / TJRJ.

Na gestão do desembargador Luiz Zveiter, presidente do TJRJ no biênio 2009 –2010, foram realizadas novas obras de recuperação, restauração e modernização, sendo o painel do artista André Vento, os vitrais de Gastão Formenti, o mobiliário e os demais ornamentos internos e externos cuidadosamente restaurados.

Fotografia em cores do vitral representando a Deusa Têmis.
Imagem: Vitral representativo da Deusa Têmis. Foto: Antônio Carlos de Oliveira/TJRJ

Atualmente, o espaço está aberto para visitação pública, sendo também utilizado para eventos culturais do Museu da Justiça e solenidades do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.