Painéis a Justiça Cível e Criminal

Fotografia em cores do Salão do Tribunal Pleno

Fotografia em cores do painel da Justiça Civil.

Na parede situada atrás da mesa da presidência, sobressai o painel Justiça Civil, obra em encáustica moderna (óleo e cera), produzida em 1939 de autoria do pintor Carlos Oswald, assim explicado pelo artista:

“Representada pela figura do Brasil levantando a bandeira, está em progressivo desenvolvimento devido ao sossego que a figura da Paz simboliza, paz que é o resultado da ação benéfica da Justiça Civil. A figura de uma mulher a representa plasticamente no ato de segurar com a direita a balança e com a esquerda o livro da Lei. Aos seus pés a atlética figura do Exército, a Força, apresta-se a segurar a espada para defender o cofre repleto das lembranças da tradição brasileira, para simbolizar o patrimônio da Nossa civilização. Enquanto isso, no primeiro plano o Trabalho agrícola e o Trabalho industrial estão em ação, e atrás, as figuras de duas mulheres avançam carregadas dos Produtos da terra brasileira que em nada são inferiores aos produtos das Terras estrangeiras que se aproximam no fundo, num grande barco, aportados pelas figuras representativas das nações amigas, individualizadas pelos respectivos estandartes. À direita, um ancião aperta as mãos de um moço, são o Saber e o Trabalho manual que se unem. Em cima surge a Arte, com a sua lira e, para terminar, no canto direito do primeiro plano os símbolos das artes e das ciências se irmanam convergindo em direção da chama da Verdade que brilha na lâmpada da inteligência”. (Texto proveniente do diário de Carlos Oswald. Apud MONTEIRO, Maria Isabel Oswald. Carlos Oswald (1882-1971): pintor da luz e dos reflexos. Rio de Janeiro: Casa Jorge Editorial, 2000, p. 16.)

Fotografia em cores do painel da Justiça Criminal.

Na parede oposta ao plano principal do Plenário, há outro painel do mesmo artista, simbolizando a Justiça Criminal, também produzida em encáustica moderna (óleo e cera), em 1939, comentada pelo autor nos seguintes termos:

“Surgem da sombra do primeiro plano pobres criminosos acorrentados. São os culpados que descontam seus crimes com castigos da antiga lei. Alguns talvez sejam inocentes... Um raio de esperanças, porém, brilha no cimo do monte. Aparece a figura rósea de uma mulher. É a personificação da concepção moderna de Justiça criminal. Com ela os métodos mudam. Pressurosa, quebra correntes, segura pela mão os culpados, abre caminho entre a Força e a Lei, que solenes, pareciam impedir a passagem, e, levantando a mão, mostra, carinhosa, a felicidade da Regeneração que se obtém pelo Trabalho e a Educação, que levam à ideia Cristã da Justiça”. (Texto proveniente do diário de Carlos Oswald. Apud MONTEIRO, Maria Isabel Oswald. Carlos Oswald (1882-1971): pintor da luz e dos reflexos. Rio de Janeiro: Casa Jorge Editorial, 2000, p. 16.)

Sobre o Autor

Filho do renomado compositor carioca de música instrumental Henrique Oswald e de Laudômia Bombernard Gasperini, nasceu em 18 de outubro de 1882, na cidade de Florença, sendo registrado como brasileiro no consulado local.

Na Itália, cursou o Instituto Técnico Galileu Galilei e a Academia de Belas Artes de Florença. Em 1906, veio ao Brasil, apresentando, na 13ª edição da Exposição Geral de Belas Artes, a pintura Violinista, que foi agraciada com a medalha de prata. Retornando à Itália, desenvolveu estudos sobre a gravura em metal e pesquisas de efeitos de luz sob a influência do impressionismo e do pós-impressionismo. Em 1913, já estabelecido no Brasil, foi convidado a dirigir a Oficina de Gravura em Metal, recentemente criada no Liceu de Artes e Ofícios, e agraciado com a Pequena Medalha de Ouro na Exposição Geral de Belas Artes.

Em 1947, passou a ministrar um curso de gravura na Fundação Getulio Vargas, escrevendo intensamente, a partir do ano seguinte, artigos divulgadores dessa arte em jornais e revistas.

Dedicou-se também à pintura mural, produzindo trabalhos para o Pavilhão Brasileiro na Exposição Internacional de Turim, em 1910. Na cidade do Rio de Janeiro, há importantes obras de sua autoria em locais como o Palácio São Joaquim, a antiga sede do Supremo Tribunal Federal, hoje Centro Cultural da Justiça Federal, o Palácio Pedro Ernesto, o Palácio Tiradentes e o antigo Palácio da Justiça do Distrito Federal.

A arte do vitral também foi praticada por Carlos Oswald, que concebeu projetos para a Catedral de Petrópolis e para a Igreja das Sacramentistas, em Juiz de Fora. Na cidade do Rio de Janeiro, há obras suas nas igrejas matrizes de Nossa Senhora da Glória, Santa Margarida Maria, Santa Terezinha, São Pedro e São Sebastião.

No projeto de construção da estátua do Cristo Redentor, no Morro do Corcovado, o engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa, autor do projeto inicial, contou com a valiosa contribuição de Carlos Oswald, que desenvolveu com ele o desenho da figura de braços abertos, que se tornaria mundialmente conhecida. Em 14 de fevereiro de 1971, Oswald faleceu na cidade de Petrópolis.